Um grupo de 7 pastores e 11 presbíteros deixam a reunião da Igreja Presbiteriana do Brasil, para fundar a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.
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História IPIB
Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Já no final do século XIX, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos estava dividida em duas partes, por causa da questão da libertação dos escravos e conseqüente Guerra da Secessão. Isso significava que o Brasil era alvo do trabalho de duas Igrejas Presbiterianas do mesmo país. Vários missionários que trabalhavam aqui eram filiados ao "Board" de Nova Iorque (Igreja do Norte dos EUA) e outros eram filiados ao "Committee" de Nashville (Igreja do Sul dos EUA). Nem sempre havia acordo pleno entre esses dois grupos de missionários. Com o correr do tempo foi se formando um corpo de pastores brasileiros. E a complicação do Presbiterianismo brasileiro aumentou. Nem sempre os pastores nacionais estavam de acordo com a forma de trabalho dos missionários estrangeiros. Conseqüentemente, três forças distintas estavam presentes dentro do Presbiterianismo no Brasil: os missionários do Norte dos Estados Unidos; os missionários do Sul dos Estados Unidos, e os pastores brasileiros.
A respeito de muitas questões, esses grupos tinham opiniões diferentes. Talvez a mais importante delas tenha sido a questão da evangelização indireta. O fato é que vultosos recursos financeiros eram empregados em instituições de ensino criadas pelos missionários. Alegava-se que, através de tais instituições, o evangelho estaria influenciando a sociedade brasileira. Alguns líderes do Presbiterianismo brasileiro, porém, achavam que esses recursos seriam mais úteis se fossem empregados na evangelização direta. E é aqui que destacamos a figura do Rev. Eduardo Carlos Pereira.
FUNDADORES
Na noite de 31 de julho de 1903, um grupo de 7 pastores e 11 presbíteros
deixou a reunião do Sínodo (da então Igreja Presbiteriana
do Brasil), liderados pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, para fundar a
"EGREJA PRESBYTERIANA INDEPENDENTE BRAZILEIRA", segundo a ortografia
da época. No dia seguinte, 1 de agosto, organizaram-na oficialmente
em "Presbitério Independente". Outros quatro presbíteros
foram arrolados entre os fundadores da Igreja (ficaram conhecidos como
"fundadores do dia seguinte"). Os pastores fundadores eram:
1. Alfredo Borges Teixeira,
2. Bento Ferraz,
3. Caetano Nogueira Júnior,
4. Eduardo Carlos Pereira,
5. Ernesto Luiz de Oliveira,
6. Othoniel Motta, e
7. Vicente Themudo Lessa
A LIDERANÇA DE EDUARDO
CARLOS PEREIRA
Eduardo Carlos Pereira nasceu em 1855. Em 1875 fez sua pública
profissão de fé, na Igreja Presbiteriana de São Paulo,
perante o Rev. G. Chamberlain. Cinco anos depois, iniciou sua carreira
ministerial na cidade de Campanha, estado de Minas Gerais. Em 1884, juntamente
com Remígio Cerqueira Leite, fundou a Sociedade Brasileira de Tratados
Evangélicos, visando a publicação de opúsculos
para evangelização e disseminação do protestantismo.
Nessa Sociedade já estava, em embrião, tudo aquilo que Eduardo
Carlos Pereira representaria para o presbiterianismo brasileiro. Algumas
características dessa Sociedade eram:
Recursos nacionais - Seria sustentada por recursos financeiros oriundos do Brasil;
Cooperação interdenominacional - Teria espírito de cooperação com outras denominações brasileiras, evitando publicar textos sobre temas e assuntos de controvérsia entre elas;
Autores brasileiros - Publicaria trabalhos escritos por autores nacionais;
Temas relevantes - Preocupar-se-ia com temas de relevância na realidade nacional.
CONTEXTO
Os missionários e as igrejas dos Estados Unidos deveriam ter percebido
esse movimento inicial e deveriam também passar a atuar no sentido
de emanciparem a Igreja Presbiteriana que aqui organizaram, mas não
foi isso que veio a acontecer.
Na base de tudo estava um problema muito sério: o da preparação dos pastores para a Igreja Presbiteriana no Brasil. Desde a organização do Sínodo, em 1888, a questão que dividia a Igreja era a da criação de um Seminário Teológico. Os missionários do Norte dos EUA queriam-no em São Paulo, onde já possuíam uma escola (a atual Universidade Presbiteriana Mackenzie). Os missionários do Sul dos EUA queriam-no em Campinas, onde também já tinham uma escola. A conseqüência dessa divergência era que não se instalava, de fato, um seminário presbiteriano no Brasil.
O Rev. Eduardo Carlos Pereira e sua igreja envolveram-se diretamente na questão. Afligia-os o fato de não existir uma preparação adequada para os pastores da Igreja. Foi em meio a essa situação que, a partir de 1898, surgiu mais um problema: a questão maçônica. A origem da questão maçônica se deu através dos artigos de Nicolau Soares do Couto Esher, publicados em "O ESTANDARTE", procurando demonstrar a incompatibilidade entre a maçonaria e a fé cristã. O assunto era polêmico. Vários pastores e missionários pertenciam à maçonaria.
CRESCIMENTO INICIAL
A IPIB nasceu pequena. No entanto, o fervor inicial, que era muito grande,
propiciou à Igreja um crescimento muito expressivo. Em pouco mais
de dez anos, a nova Igreja quase alcançou o mesmo número
de membros da Igreja Presbiteriana, da qual saíra em 1903. Era
tão impressionante esse crescimento e tão significativo
esse fervor que a IPIB ganhou um carinhoso apelido: "Igrejinha dos
milagres"! Os estudiosos sugerem que três razões colaboraram,
e em muito, para esse crescimento inicial dos presbiterianos independentes:
A pregação anti-maçônica
O deslocamento de crentes para outras regiões do país -
no início do século XX muitas famílias mudaram-se
para novas regiões de povoamento, particularmente em partes do
Estado de São Paulo, Minas e Paraná. Isso levava a mensagem
evangélica junto com as famílias migrantes; - ainda inflamados
com o tema que determinou o nascimento da IPIB, conquistaram muitos simpatizantes
com essa pregação, que afirmava a pureza doutrinária
da Igreja de Cristo;
A evangelização propriamente
dita - sem dúvida, diante da necessidade do anúncio do evangelho,
os primeiros presbiterianos independentes eram muito fervorosos, trazendo
muitas pessoas, em especial parentes e vizinhos.